14º Dia de estágio em altitude
Noto em cada dia que passa, e apesar do rigor e do grande volume de trabalho que temos realizado, que as capacidades físicas do Alex estão a crescer a olhos vistos. Mais importante ainda, é que ele presentemente “transpira” outra saúde, e as lesões que tantas vezes nos atormentam e condicionam o nosso trabalho, não se têm manifestado. Temos assistido também, a um crescimento atípico do seu volume muscular. É certo que já há muito tempo não conseguíamos realizar um plano regular de força máxima, como temos vindo a fazê-lo aqui.
Treinar a este nível de exigência não é certamente tarefa para todos. Dificilmente conseguiríamos realizar um plano de treinos desta qualidade, em situação normal de vida. Aqui, tudo se orienta para o treino ao mais alto nível. As excelentes condições que temos para treinar, a alimentação altamente cuidada, o conforto dos alojamentos, a inexistência de factores externos, bem como o ambiente que se vive no centro, são factores decisivos para o sucesso do nosso trabalho.
Como treinador, o meu sonho é desde há muito, sê-lo no verdadeiro conceito da palavra. Aqui, não tenho um clube para gerir e uma piscina para coordenar, e só em situações extremas sou chamado a intervir. Por isso, tenho tempo para me concentrar de outra forma no planeamento, tempo para analisar e reflectir sobre cada momento do nosso trabalho, e sobretudo, tempo para descansar e fazer também alguma actividade física regular.
Esperava hoje, uma reacção negativa ao trabalho realizado ontem à tarde, o que se veio a revelar pelos indicadores do Alex (7 na PST e pulso de 90 b/m antes do treino da manhã). Como tal, e tendo em conta que tínhamos planeado uma sessão de força máxima para depois do treino na água, optei por fazer um treino na água mais ligeiro, como forma a promover uma melhor recuperação do atleta.
No ginásio o trabalho correu lindamente e o plano de trabalho foi cumprido na integra, sendo necessário cerca de 1 hora e 15 para conclui-lo.
Como curiosidade, os tais nadadores polacos hoje entraram na água mais cedo do que nós. Quando regressamos do ginásio, cerca de 3 horas depois de termos iniciado o treino na água, ainda estavam os polacos a treinar. Fizeram de certo mais de 3 horas de treino na água, e nem sei bem quantos metros é que terão feito.
O treino da tarde foi orientado para a velocidade parcial de nado. Realizamos sprints de 12,5 metros treinando desde a saída do bloco, nado distancial, viragens e chegadas. Os indicadores de velocidade foram muito positivos. No final realizamos dois “tiros” de 25 metros, um a mariposa, onde o Simão ganhou com 11,25 e o Alex fez 11;30. A crol o Alex fex 10;50.
Ainda em relação a esta crónica diária, que penso ser a primeira vez que alguém a faz, o meu objectivo foi poder contribui para enriquecer a cultura desportiva dos nadadores do meu clube. Nunca pensei no entanto, que o meu diário fosse tão acompanhado em Portugal, o que desde já me deixa satisfeito, pelo relativo trabalho que tenho em fazê-lo.
Ao relatar tudo o que vamos realizando neste estágio, estou a mostrar o livro todo a muita gente. Faço-o no entanto, convicto do trabalho sério e profissional que estamos a realizar neste estágio, e porque acredito que só com trabalho rigoroso e de qualidade, poderemos atingir os objectivos que eu e o meu nadador nos propusemos atingir. |